quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Camisa de botão








Amanhã

Não vejo a hora de te reencontrar

Será manhã

Tenho uma outra camisa

Mais botões pra você desabotoar


Amanhã

Tenho palavras para soletrar

Será manhã

Minha sacerdotisa,

Há outra canção que devemos entoar


De dois em dois botões

Um novo carinho

O peito agora encontra-se despido

Os músculos executam flexões

As mãos encontram seu caminho


A seqüencia das ações

compõem um torvelinho

O corpo não é mais insípido

E não contem as suas erupções

Ao chão a camisa de linho





P.S.: Não há nada mais prazeroso do que ter os botões da sua blusa sendo descontinuados por uma mulher.

Este poema versa sobre esse prazer indescritível que eu tentei tornar descritível.



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Esperança

















A esperança é como o vento
Ela toca a minha pele com alento
Me convence de sua existência
Mas esvai-se com sapiência
Como retê-la dentro de mim?
Será ela um órgão, como um rim?
Não é difícil concluir que não
Ela até passa pelo pulmão
É o ar que expurgamos
à medida que respiramos
Do corpo logo desencarna
Ah, se ela fosse sarna!
Nunca me abandonaria
Daí não precisaria
Prendê-la dentro de um frasco
Já bem perto do fiasco
afrouxo a tampa da esperança
Que, em fuga, compõe sua dança
Aquela que imita a ventania
Um samba que é cheio de harmonia
E como veneno adentra o peito
Partindo sem nenhum respeito
Até deixar limpo o recinto
Sem se importar com o que sinto
De mim, mortal sonhador, ficou o resto
E essa especiaria não vendo, nem empresto

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Palestra Vegan





















Seguindo a linha de publicar aqui qualquer postagem que diga respeito ao que penso, gostaria de comunicar que no dia 27 de outubro (terça-feira) das 19:30 às 22:00 ocorrerá a seguinte palestra:

DIREITO DOS ANIMAIS E VEGANISMO



Acontecerá na UFPB
Conjunto Humanístico
Auditório CCHLA 411

Bloco 4 Castelo Branco

João Pessoa - PB

Assistam, vale à pena.

Além da palestra terá também a exibição de um documentário, com a ativista mineira Adriana Cristina.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Lettres





















Je suis perdu
dans les lettres de mon coeur
Vernaculaire qui n'existe pas

Je suis perdu
Sans amour et sans couleur
Quand elle reviendra?

Anderson Pereira

domingo, 4 de outubro de 2009

Fenômeno


Quando o sentimento se chama calor

Quero teu beijo

Se o instinto é maior do que o pudor

Apenas te desejo

Água, fogo, gelo e brasa

Neve, incêndio, enchente e seca

Não consigo mais ficar em casa

Em teus fenômenos queres qu’eu me perca?

Luxúria deve ser teu codinome

Preciso sentir tua boca doce

Pois sem tua saliva sinto fome

Queria acompanhar-te aonde quer que fosse


Anderson Pereira

sábado, 3 de outubro de 2009

Sonhos Sentidos




















Lembro da doçura de teus lábios
Tocando os meus com sutileza
Como o fogo que queima a lenha

O calor de teus raios
Bronzeia meu corpo com destreza
E não preciso dizer: venha!

Pois em meu sono te vejo toda
Como a lua que deixa a noite colorida
És o zéfiro que me arrepia

E antes que o sol diga bom dia,
Tornando difícil a hora da partida,
Acordo com o seu gosto na boca

Por Anderson Pereira

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O FIM PARA UM NOVO COMEÇO















Para que se comece é necessário que se termine antes de "empezar". Adoro essa palavra espanhola, porque me induz a pensar que você vai com o pé e depois com o corpo todo (loucura minha, os professores de espanhol vão me matar!). E aqui ela ainda me ajuda a não usar mais uma vez alguma palavra derivada de "começar" ou a própria (quer dizer, empediria, caso não tivesse acabado de usá-la). Como ia falando, é muito bom chegar no fim. É o ápice. Mas, às vezes, ele pode ser desastroso, causando dor e sofrimento. Por isso temos que ser sábios ao desenhar nosso "meio" para que seu desfecho seja elegante ("elegante" aqui não é o que você está pensando, simplório leitor - pense na palavra como algo bem estruturado). Mais um período da minha vida tá passando. Foram oito meses até aqui (nove, na verdade - sou ruim de matemática). É necessário mudar, por isso estou "em obras". Sempre é tempo de descobrir mais, criar outros "fins", planejar outros meios, pôr o pé no recomeço ("EMPEZAR" o/). Por isso que, às vezes, o fim não só é necessário, como delicioso. E eu vou comê-lo com carambolas (de preferência, bem azêdas - do jeito que gosto)!
O término das coisas te proporciona o começo de algo novo. Por isso, me atrevo a dizer que ele não é estanque, ele está lá, dentro de você, esperando para construir um novo começo e concluir mais um desfecho. Por falar em concluir, gostaria de fazê-lo. Mas, como fazer isso com um texto que já é concluso (confuso também) por natureza? Dois questionamentos devem ser feitos antes de finalmente finalizar o fim do desfecho dessas minhas redundâncias ovais:

1 - Será que eu entendi mesmo o que é "fim"?
2 - Se a assertiva acima não se confirma, caberá a alguém ou poderá este mesmo indivíduo explicar-me o que minha ignorância me impediu de enxergar?

Bem, o que eu sei é que nosso protagonista de hoje é tão relativo quanto o tempo e igualmente destrutivo e ao mesmo tempo construtivo. E mais não digo para que nosso herói não se desgaste a ponto de sucumbir (que é bem diferente se "finir"). E este texto não acaba aqui, nem alí e muito menos acolá.

...

Anderson Pereira

sábado, 15 de agosto de 2009

DESEJO















Queria poder fugir e ao mar jogar
Todos os documentos,
Sem ressentimentos

Se a gaivota aceitasse trocar
Pernas por asas
Iria conhecer as marés altas

Poderia ver a poeira chegar
Sem espirrar
Ao encontrar minha terra de malta

Queria, sem sucumbir
Sentir o calor me destruir
Com o fogo que mata

Anderson Pereira

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Alfabetizando a poesia

















ALFABETIZANDO A POESIA


Se alguém te perguntar o que é poesia, não se assuste. Eis 26 significados práticos e (IM)POSSÍVEIS, porém divertidos do que ela poderia ser ou representar se tivesse o seu primeiro grafema trocado:
1 - Aoesia (quando tentamos subjetivá-la colocando um artigo na frente, "A poesia");
2 - Boesia (quando ela é boa mesmo);
3 - Coesia(se ela for coerente);
4 - Doesia (quando tem dor, porque sem o sofrimento não há a perda e sem ela, não há lirismo);
5 - Eoesia (uma poesia com estilo);
6 - Foesia (se for francesa);
7 - Goesia (a que causa gozo);
8 - Hoesia (a poesia de hoje em dia);
9 - Ioesia (quando ela é "idiota");
10 - Joesia (uma poesia de Jô Soares);
11 - Koesia (caso a poesia aceitasse assinar o Acordo Ortográfico);
12 - Loesia (a "love" poetry);
13 - Moesia (se for escrita por um poeta modesto);
14 - Noesia (às vezes - para alguns, quase sempre - ela dá um "nó" na sua cabeça);
15 - O.oesia (se você for necessário pôr um emoticon nela);
16 - Poesia (a poesia em si);
17 - Qoesia (quando você conhece a poesia e não sabe "quem" a escreveu, o famoso anônimo);
18 - Roesia (quando a traça roe);
19 - Soesia (quando a poesia é plagiada, tem uma sosia);
20 - Toesia (quando ela é comprida tal qual uma toesa);
21 - Uoesia (se for utópica);
22 - Voesia (uma poesia feita pelos nossos avós);
23 - Woesia (se a poesia for anglo-germânica, já que inglês e alemão têm inúmeros vocábulos iniciados pela consoante "w");
24 - Xoesia (seria o nome dado a alguma poesia que Xuxa escrevesse);
25 - Yoesia (se for em espanhol);
26 - Zoesia (quando é sobre o mundo animal);


Olha a que ponto vai o meu amor pela poesia... É tão grande que fica me fazendo buscar significados que (in)existem. Depois desta exposição, vou escrever um Poema para Moema!

Anderson Pereira

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Como tornar a Literatura ainda mais prazerosa?














Antes de fazer a reflexão de "hoje", gostaria de comunicar aos meus leitores (se é que tenho) que as postagens aqui no Blog serão quinzenais. Ou seja, não será a reflexão de hoje, e sim a dos últimos quinze dias.
Hoje gostaria de falar um pouco sobre literatura. O que é bastante difícil, porque é algo que não tem definição. Mas, meu texto se distancia de artigos acadêmicos complexos.
A primeira característica que me faz amar a literatura é porque ela é o reflexo das práticas sociais de um povo. É só lembrar dos gregos, dos índios e outros povos que, por meio de mitos, iam construindo a sua própria história. Estes são exemplos de literatura falada que foram importantes para a constituição, inclusive, de nossa sociedade ocidental. Muitas de nossas leis, muitos de nossos costumes e demais saberes são advindos daí.
O que eu queria falar hoje é bem simples, muitos professores de literatura não entendem que não adianta entrar numa sala de aula e dizer, por exemplo: "La Fontaine foi um moralista que escrevia fábulas inspirado na obra de Esopo (em grego Αἴσωπος, transl. Aisōpos)." Por que ao invés disso o professor não entra na sala tentando extrair tudo o que seu aluno já sabe sobre o tema que vai debater? Eu perguntaria primeiro aos alunos o que eles sabem sobre La Fontaine, dependendo do contexto do público-alvo poderia até pedir que fizessem uma pesquisa na internet ou em uma biblioteca sobre o autor, sua obra, quem o influenciou, etc. A partir do que eles dissessem eu iria completar a fala deles com o que faltou ser dito ou que poderia ser complementado. Isso se chama Approche Communicatif, vem da Lingüística (isso mesmo, Lingüística e literatura podem, sim, se dar bem juntinhas).
Digo isto porque na quarta passada apresentei o romance Madame Bovary de Gustave Flaubert. Foi um sucesso. Isso porque eu preparei a apresentação sempre refletindo em como eu iria encaixar os meus ouvintes no meu discurso. Eu queria que eles realmente entendessem quem foi Emma Bovary para a sua época e o que representa para a literatura ocidental, a nota era lucro.
Dividi a apresentação em quatro momentos.

1 - Comecei perguntando a eles quem, na opinião deles seria Madame Bovary, assim como o que eles pensavam que ela poderia representar no século XIX para a sociedade francesa (esqueci de dizer que são alunos de letras do quinto período da UFPB, preparei a apresentação tendo isto em mente - o público-alvo). Tudo que eles disseram foi sendo escrito no quadro negro. Essas informações foram guardadas, por enquanto;

2 - Escolhi um vídeo que tivesse um link com as possíveis opininiões dos alunos. Foi uma cena do filme Pecados Íntimos, onde seis mulheres debatiam a posição da personagem principal do romance de Flaubert e as escolhas dela. Algumas das coisas que foram debatidas no vídeo estavam expostas no quadro.

3 - A terceira etapa foi discutir o vídeo e as opiniões de cada um. Lembrando que, em literatura não existe opiniões erradas, e sim opiniões mais adequadas. Já que tudo que for dito tem que ser provado por meio da leitura crítica. Portanto, todas as opiniões foram bem aproveitadas. Eu fui explicando cada uma delas e os alunos iam dialogando comigo.

4 - Para concluir meus penamentos, e até alguns pensamentos levantados pelos ouvintes, usei passagens do livro escolhidas por mim e que foram lidas por eles. Cada um leu duas passagens. À medida que líamos comentávamos o que aquilo representava.

No final, eles já tinham entendido muito bem o porquê da traição em Flaubert, o porquê do fim trágico da obra e outros pontos centrais importantes, imprecindíveis para a compreensão do romance. Tudo por causa da abordagem escolhida.
Fico triste de ainda freqüentar aulas de literatura que me dão sono. Já que essa é a minha disciplina predileta. Principalmente a literatura francesa.
Espero não ter falado muita besteira, sou só um aprendiz ainda, mas sei mais ou menos que caminho seguir para fazer com que a literatura conquiste cada vez mais "lares". Muitos professores traumatizam seus alunos por não escolherem a abordagem correta. Espero que isso um dia mude. Lembrando que não existe receita de bolo para ensinar literatura, você tem que aprender a conhecer o seu aluno e saber que tipo de abordagem será melhor em tal turma.
Bem, é isso!!!

Au Revoir,

Anderson Pereira

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